Controlo de Custos

Quanto gastam as PMEs portuguesas em software em 2026

Análise dos gastos reais em software nas pequenas e médias empresas portuguesas — ferramentas mais usadas, valores médios e onde está o desperdício.

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Eddie Reis
·1 de junho de 2026·8 min leitura

Quanto gastam as PMEs portuguesas em software em 2026

A maioria dos donos de empresas que conheço consegue dizer de cor quanto paga de renda, de eletricidade, de segurança social. Mas quando pergunto quanto gastam em software por mês, a resposta é quase sempre a mesma: um encolher de ombros.

Não é descuido. É que os custos de software não aparecem numa fatura mensal só. Estão espalhados por cartões de empresa diferentes, por contas pessoais que alguém passou a usar para o trabalho, por subscrições anuais que renovam sem aviso. A empresa vai pagando. Ninguém soma.

Este artigo tenta fazer essa soma — pelo menos em traços gerais, com dados disponíveis e estimativas conservadoras para o contexto português. Não existe um estudo definitivo sobre PMEs portuguesas e os seus gastos em SaaS. Isso, por si só, já diz alguma coisa.


Índice

  1. Quanto gasta uma PME portuguesa em software, em média
  2. As ferramentas mais comuns — e o que custam
  3. Onde está o desperdício
  4. Por que é tão difícil controlar estes gastos
  5. O que podes fazer esta semana

Quanto gasta uma PME portuguesa em software, em média

Dados europeus de 2025 da Gartner e da Productiv apontam para um gasto médio de entre €800 e €1.200 por mês em empresas com 5 a 20 pessoas. O número parece alto até começares a listar o que tens.

Para Portugal, os valores são provavelmente mais baixos — o mercado SaaS americano tem preços diferentes, e as PMEs portuguesas tendem a ser mais conservadoras na adoção de ferramentas. Uma estimativa razoável para uma empresa de 5 a 10 pessoas em Portugal: €400 a €700 por mês.

O problema não é o valor absoluto. É que 28% desse valor — segundo dados da BetterCloud referentes a empresas europeias — corresponde a software que ou está duplicado ou que ninguém usa há mais de dois meses. Num gasto de €500/mês, são €140 a sair todos os meses sem utilidade.

€140/mês em desperdício de software equivale a €1.680 por ano. É o equivalente a um mês de salário de um colaborador a tempo parcial.


As ferramentas mais comuns — e o que custam

Estas são as ferramentas que aparecem com mais frequência nas PMEs portuguesas com 5 a 20 pessoas, e os preços reais de 2026:

| Ferramenta | Preço/mês (por utilizador ou plano base) | Categoria | |---|---|---| | Microsoft 365 Business Basic | €6-€12/utilizador | Produtividade | | Google Workspace | €6-€12/utilizador | Produtividade | | Zoom Pro | €15/utilizador | Comunicação | | Microsoft Teams | Incluído no M365 | Comunicação | | Moloni | €15-€30/mês | Faturação | | InvoiceXpress | €12-€25/mês | Faturação | | Adobe Acrobat | €18/utilizador | Documentos | | Canva Pro | €13/utilizador | Design | | Dropbox Business | €15/utilizador | Armazenamento | | HubSpot Starter | €50/mês | CRM | | Slack Pro | €8/utilizador | Comunicação | | Factorial | €4/utilizador | RH |

Uma empresa de 8 pessoas que use metade destas ferramentas facilmente chega a €400-€600/mês antes de contar com qualquer software específico do setor.

O que raramente aparece nestas listas são as ferramentas de nicho — o software de gestão de stocks, o sistema de ponto, a ferramenta de email marketing, o antivírus. Cada uma parece irrelevante isolada. Juntas, acrescentam €100 a €200/mês.


Onde está o desperdício

Há três fontes de desperdício que aparecem sempre, em empresas de todos os setores.

Ferramentas duplicadas

A mais comum. A empresa tem Microsoft 365 — que inclui o Teams, o OneDrive e o SharePoint — e também paga o Zoom, o Dropbox e o Slack. Não por necessidade, mas porque cada ferramenta foi contratada em momentos diferentes, por pessoas diferentes, sem que ninguém tivesse a visão do conjunto.

Zoom + Teams num escritório de 8 pessoas pode custar €120/mês a mais sem qualquer benefício.

Subscrições esquecidas

Alguém testou uma ferramenta há seis meses. Nunca a usou a sério, mas a subscrição anual já renovou. Acontece com software de design, com plataformas de e-learning, com ferramentas de gestão de projetos que ficaram a meio.

Num levantamento interno que fiz com empresas portuguesas de 5 a 15 pessoas, a média foi de 2 a 3 subscrições ativas que ninguém conseguia dizer para que serviam.

Contas pessoais usadas para o trabalho

O colaborador que paga o Adobe CC da própria conta e pede reembolso. A conta do ChatGPT Plus que está no cartão pessoal do sócio. O Canva Pro subscrito em nome próprio. Estes gastos não aparecem no controlo financeiro da empresa, mas são gastos da empresa na prática.


Por que é tão difícil controlar estes gastos

Há uma razão estrutural para isto ser difícil: o modelo de negócio do SaaS foi desenhado para facilitar a aquisição e dificultar o controlo.

Qualquer pessoa na empresa consegue subscrever uma ferramenta em dois minutos com um cartão de crédito. Cancelar, ou perceber que já existe outra solução para o mesmo problema, exige tempo que ninguém tem. A renovação automática é a norma. O aviso de renovação vai para um email que ninguém lê.

Ao mesmo tempo, as ferramentas de controlo financeiro tradicionais — contabilidade, extratos bancários — não estão desenhadas para este tipo de gasto. Uma subscrição de €12/mês aparece no extrato como um débito pequeno que não chama a atenção. Só quando somas todos é que o número começa a incomodar.

O resultado é que a maioria das PMEs só percebe o que gasta em software quando alguém decide fazer o exercício manualmente — listar tudo, um por um, verificar os extratos dos últimos 12 meses. É trabalhoso, não é sistemático, e raramente acontece mais de uma vez por ano.


O que podes fazer esta semana

Não precisas de uma ferramenta para começar. Precisas de 30 minutos e acesso ao extrato bancário da empresa.

Passo 1 — Lista todas as subscrições que consegues identificar no extrato dos últimos 3 meses. Inclui as que aparecem em cartões pessoais de colaboradores se forem reembolsadas.

Passo 2 — Para cada subscrição, responde a duas perguntas: quem usa? Com que frequência? Se não consegues responder, é um candidato a cancelar.

Passo 3 — Identifica sobreposições. Tens Teams e Zoom? Dropbox e OneDrive? Moloni e InvoiceXpress? Cada par destes é desperdício garantido.

Passo 4 — Soma tudo. O número final vai ser maior do que esperavas.

Este exercício feito uma vez resolve o problema presente. O que não resolve é o problema futuro — a próxima subscrição que alguém vai abrir na próxima semana, sem que ninguém saiba.


Conclusão

Não existe um número oficial sobre o que as PMEs portuguesas gastam em software. O que existe são indícios de que o valor é mais alto do que se pensa, e que uma parte relevante desse valor não traz retorno.

O problema não é que as ferramentas sejam caras — a maioria não é. O problema é a falta de visibilidade sobre o conjunto. Uma empresa que não sabe o que paga não consegue decidir o que vale a pena manter.

A solução não é complexa. É ter um lugar onde tudo está visível, com alertas antes das renovações e uma forma simples de identificar o que está duplicado ou parado. Isso é o que o Klaxo Business está a construir — uma ferramenta feita para o contexto europeu, em euros, sem integrações complicadas.


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Perguntas frequentes

Quanto gasta uma PME portuguesa em software por mês?

Não existe um estudo específico para Portugal. Com base em dados europeus e estimativas conservadoras, uma empresa de 5 a 10 pessoas gasta entre €400 e €700 por mês em software, incluindo ferramentas de produtividade, comunicação, faturação e armazenamento.

Qual é a ferramenta de software mais usada pelas PMEs portuguesas?

O Microsoft 365 é a solução mais comum, presente na maioria das empresas com trabalhadores por conta de outrem. A seguir aparecem ferramentas de faturação portuguesas como o Moloni e o InvoiceXpress, e plataformas de comunicação como o Zoom e o Teams.

Como posso saber se a minha empresa tem subscrições duplicadas?

A forma mais direta é listar todas as subscrições ativas — verificando extratos bancários dos últimos 3 meses — e identificar ferramentas que servem o mesmo propósito. Comunicação por videoconferência, armazenamento na cloud e faturação são as categorias onde a duplicação aparece com mais frequência.

Vale a pena usar uma ferramenta para gerir subscrições de software?

Para empresas com menos de 5 ferramentas, um simples documento partilhado chega. A partir de 8 a 10 ferramentas — ou com uma equipa de mais de 3 pessoas — o controlo manual torna-se pouco fiável. É quando uma ferramenta dedicada começa a fazer sentido.

O que acontece quando uma subscrição anual renova sem aviso?

Renova e é cobrada. A maioria das plataformas SaaS envia um email de aviso 7 a 14 dias antes, mas esses emails raramente chegam à pessoa certa. A única forma de evitar surpresas é ter um registo central com as datas de renovação de cada subscrição.

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