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As 10 ferramentas onde as PMEs portuguesas mais desperdiçam dinheiro (e como parar)

Descobre as 10 ferramentas de software onde as PMEs portuguesas mais perdem dinheiro todos os meses. Padrões de desperdício, valores reais e soluções práticas.

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Eddie Reis
·7 de junho de 2026·7 min leitura

As 10 ferramentas onde as PMEs portuguesas mais desperdiçam dinheiro (e como parar)

O Rui tem uma consultora de engenharia em Braga. Oito pessoas, clientes industriais, projectos que duram meses. Num almoço com outro empresário, a conversa caiu nos custos de software. "Nós devemos gastar uns 300 euros por mês, é o normal", disse o Rui. No dia seguinte foi ver. Eram 640 euros.

Não era um problema de uma ferramenta cara. Era o efeito de dez pequenas decisões más acumuladas ao longo de dois anos: o plano errado do Microsoft 365, a subscrição individual do Canva que três pessoas pagavam sozinhas, o Slack Pro que ninguém usava a sério. Dez ferramentas, dez fugas. O Rui não é excepção — é o caso típico da PME portuguesa que nunca parou para olhar para o lado silencioso da facturação.

Abaixo estão as dez ferramentas onde vemos as PMEs a perder mais dinheiro. Não são as mais caras. São aquelas onde o desperdício é tão normalizado que ninguém questiona.

1. Microsoft 365 — o plano errado

É a ferramenta mais universal. E a campeã do desperdício. O padrão clássico: contrataram o plano Business Standard (12,50 €/mês por utilizador) quando o Business Basic (6 €/mês) chegava perfeitamente. O Standard inclui as aplicações desktop do Office, mas a maior parte das pessoas usa o Word e o Excel no browser. Resultado: estás a pagar o dobro por funcionalidades que a tua equipa nunca instalou.

Solução: audita que funcionalidades a equipa usa de facto. Para muitos, o Basic chega. E verifica sempre o admin center — é lá que moram as licenças atribuídas a ex-colaboradores.

2. Adobe Creative Cloud — individuais em vez de equipa

O Adobe CC custa cerca de 60 €/mês por licença individual. Mas se duas ou três pessoas da equipa precisam de Photoshop ou Illustrator, estás a deixar dinheiro na mesa. O plano de equipa começa nos 80 €/mês por pessoa e inclui armazenamento partilhado, bibliotecas e gestão de licenças — que é exactamente o que falta quando cada um tem a sua conta.

Solução: se há mais de duas pessoas a usar Adobe, consolida num plano de equipa. E verifica se a Figma (a seguir) não substitui algumas dessas licenças.

3. Slack — Pro sem precisar

O Slack gratuito guarda 90 dias de histórico. Para a maioria das PMEs, isso é suficiente. Mas muitas contratam o plano Pro (7,25 €/mês por utilizador) porque acham que precisam do histórico completo. A verdade: quando foi a última vez que procuraste uma mensagem com mais de três meses?

Solução: revê se o histórico ilimitado é mesmo usado. Se não for, desce para o Free e guarda o que interessa noutro lado. Nove euros por pessoa não parece muito — até multiplicares por oito.

4. Notion — contas duplicadas

O Notion vicia. Isso é bom e mau. O que acontece é que uma pessoa cria um workspace para a equipa, outra cria o seu próprio para notas pessoais, e uma terceira convence-se de que precisa de um plano pago para um template qualquer. No fim, tens três contas quando uma chegava.

Solução: centraliza. Um workspace de equipa (10 €/mês por pessoa) cobre tudo. E verifica se não há membros pagos que já não estão activos — o Notion cobra por membro, não por utilizador activo.

5. Canva — individuais quando o plano de equipa é mais barato

O Canva Pro custa 12 €/mês. Parece pouco. Mas quando três pessoas pagam individualmente, são 36 €. O Canva para equipas custa 10 €/mês por pessoa — e inclui funcionalidades de colaboração que as contas individuais não têm. Isto é tão comum que já virou piada interna entre designers: "quantas contas de Canva tem a tua empresa?"

Solução: cancela as individuais e centraliza num plano de equipa. O Canva até permite transferir designs entre contas, por isso não perdes nada.

6. Zoom — pago quando o Meet está incluído

Muitas PMEs portuguesas usam Google Workspace. Todas já pagam o Meet — está incluído em qualquer plano do Workspace. Mas por hábito ou inércia, continuam a pagar o Zoom (13 €/mês). Para quem precisa de webinars ou salas de espera longas, o Zoom justifica-se. Para reuniões normais de equipa, não.

Solução: testa o Meet durante um mês. Se ninguém sentir falta do Zoom, cancela. O dinheiro que sobra paga outro Workspace.

7. Dropbox — duplicado com o Google Drive

Outro clássico do Google Workspace: pagar Dropbox (10 €/mês) quando o Drive já está incluído. O Dropbox foi pioneiro e há equipas que nunca o largaram. Mas se usas Workspace, estás literalmente a pagar duas vezes pela mesma coisa. O Drive tem partilha, sincronização e histórico de versões.

Solução: migra as pastas partilhadas para o Drive, avisa a equipa com uma semana de antecedência, cancela o Dropbox. O Google Takeout facilita a migração.

8. HubSpot — funcionalidades pagas que ninguém usa

O HubSpot grátis é fantástico. O problema começa quando alguém activa um plano pago para uma funcionalidade específica — e depois nunca mais lhe toca. O Sales Hub (45 €/mês por utilizador) tem relatórios que metade das PMEs nunca abriu. O Marketing Hub é pior: funcionalidades de automação que exigem um esforço de configuração que nunca acontece.

Solução: audita o que está activo no teu portal. Cancela os hubs pagos que não mostram uso nos últimos três meses. O CRM gratuito do HubSpot já cobre 80% das necessidades de uma PME.

9. Figma — licenças de quem já saiu

A Figma cobra por editor (12 €/mês). O problema: quando um designer sai da empresa, a licença fica activa até alguém se lembrar de a desactivar. Como o Figma não é uma despesa que apareça no extrato com clareza, pode ficar meses a cobrar por alguém que já está noutra empresa.

Solução: acede ao admin dashboard do Figma e revê a lista de editores. Remove qualquer conta que já não pertença à equipa. Se tens freelancers pontuais, muda para o plano gratuito e convida-os como viewers.

10. Ferramentas de IA — tudo ao mesmo tempo

O mais recente da lista. E o que mais cresce. ChatGPT Plus (20 €/mês), Claude Pro (20 €/mês), Gemini Advanced (20 €/mês), Perplexity Pro (20 €/mês). Com quatro pessoas na equipa, cada uma com a sua preferida, a factura dispara. O problema aqui não é a ferramenta — é a dispersão. Ninguém precisa de quatro subscrições de IA.

Solução: escolhe uma para a equipa e partilha. O ChatGPT tem o plano Team (25 €/mês por pessoa) que permite partilhar conversas e templates. Ou escolhe uma só e mantém as restantes no plano gratuito.


O Rui, depois daquele almoço, passou uma tarde a rever as dez ferramentas da lista. Cancelou o Zoom e o Dropbox. Desceu o Slack para Free. Consolidou o Canva e o Notion. No final, a factura mensal passou de 640 € para 390 €. Não perdeu uma única funcionalidade que a equipa usasse de facto.

O padrão repete-se: o problema nunca é uma ferramenta em particular. É a soma das pequenas decisões que ninguém reviu. O dinheiro não desaparece num rombo — desaparece em dez gotas pequenas que ninguém vê.

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